22 junho 2013

Tag Textos: Do que eu sentia medo?



Hoje me perguntaram do que eu sentia medo e não soube responder. Fiquei parada, quieta com meus pensamentos, procurando uma resposta. Eu tinha que sentir medo de algo, todos sentem medo. De pessoas, palhaços, monstros, animais, sentimentos… Mas nada passava pela minha cabeça. Sem nada de verdadeiro para falar, soltei dos lábios que tinha medo de ficar só. Saí andando pelas ruas e observando o que acontecia ao meu redor: as pessoas carregavam olhares desconfiados, talvez com medo de um assalto. Crianças num beco poluindo o ar e acabando com a inocência que as restam. Homens com barbas longas, encolhidos num canto e deitados num papelão, em seus rostos estavam estampado o frio, a fome e a dor de não serem ninguém. Senti um aperto no peito, eu sentia medo, medo do mundo. Medo do que me aguardara para o futuro, medo de me entregar a um sentimento que não poderia dar certo e acabar me magoando com toda a verdade e medo de ser julgada por aquelas pessoas que mal sabem pelo o que passo. Andei mais um pouco e olhei para o céu, lembro-me de que ele estava azul, azul, com pequenas manchas brancas e logo em seguida olhei para os lados e me deparei com uma menininha aprendendo a andar de bicicleta sem rodinhas. Seu pai dizia para que ela não sentisse medo, pois ele estava ali ao seu lado e então me perguntei: será que ela continua sentindo medo mesmo com o seu pai ali do lado? Sentei-me em uma calçada e a fiquei observando, ela me olhou com cara de assustada e tive a completa certeza de que ela não estava segura daquilo que estava fazendo. Seu pai disse para ela começar a pedalar e deixar que o vento a levasse e lá foi ela, pedalando, pedalando e deixando que a bicicleta tomasse conta dela, seu pai que estava segurando o assento, soltou-o depois de um tempo e ficou observando sua filha. Quando ela percebeu que seu pai não estava mais ali junto a ela, deu um grito tão alto que me deu até pena. Coitadinha daquela menina! O aperto no peito aumentava, agora sentia que tinha medo de não poder confiar nas pessoas. Mas ao olhar aquela menina que mesmo com medo dobrou a esquina, eu entendi o que deveria fazer, deveria seguir em frente, com todos os medos nas mãos, à coragem no olhar, mostrando pra vida que eu sei viver, que sei andar no meu caminho torto carregando um sorriso frouxo qualquer.  (Floreja e Desafagos.)

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