Hoje me perguntaram do que eu sentia medo e
não soube responder. Fiquei parada, quieta com meus pensamentos, procurando uma
resposta. Eu tinha que sentir medo de algo, todos sentem medo. De pessoas,
palhaços, monstros, animais, sentimentos… Mas nada passava pela minha cabeça.
Sem nada de verdadeiro para falar, soltei dos lábios que tinha medo de ficar
só. Saí andando pelas ruas e observando o que acontecia ao meu redor: as
pessoas carregavam olhares desconfiados, talvez com medo de um assalto.
Crianças num beco poluindo o ar e acabando com a inocência que as restam.
Homens com barbas longas, encolhidos num canto e deitados num papelão, em seus
rostos estavam estampado o frio, a fome e a dor de não serem ninguém. Senti um
aperto no peito, eu sentia medo, medo do mundo. Medo do que me aguardara para o
futuro, medo de me entregar a um sentimento que não poderia dar certo e acabar
me magoando com toda a verdade e medo de ser julgada por aquelas pessoas que
mal sabem pelo o que passo. Andei mais um pouco e olhei para o céu, lembro-me
de que ele estava azul, azul, com pequenas manchas brancas e logo em seguida
olhei para os lados e me deparei com uma menininha aprendendo a andar de
bicicleta sem rodinhas. Seu pai dizia para que ela não sentisse medo, pois ele
estava ali ao seu lado e então me perguntei: será que ela continua sentindo
medo mesmo com o seu pai ali do lado? Sentei-me em uma calçada e a fiquei
observando, ela me olhou com cara de assustada e tive a completa certeza de que
ela não estava segura daquilo que estava fazendo. Seu pai disse para ela
começar a pedalar e deixar que o vento a levasse e lá foi ela, pedalando,
pedalando e deixando que a bicicleta tomasse conta dela, seu pai que estava
segurando o assento, soltou-o depois de um tempo e ficou observando sua filha.
Quando ela percebeu que seu pai não estava mais ali junto a ela, deu um grito
tão alto que me deu até pena. Coitadinha daquela menina! O aperto no peito
aumentava, agora sentia que tinha medo de não poder confiar nas pessoas. Mas ao
olhar aquela menina que mesmo com medo dobrou a esquina, eu entendi o que
deveria fazer, deveria seguir em frente, com todos os medos nas mãos, à coragem
no olhar, mostrando pra vida que eu sei viver, que sei andar no meu caminho
torto carregando um sorriso frouxo qualquer. (Floreja e Desafagos.)
22 junho 2013
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